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Inadimplência · 4 min de leitura

Dr. Glauber Tiago Giachetta

O Fim da Escala 6 x 1 e os Impactos Estruturais nos Condomínios: Reorganização Operacional e Reajuste de Custos

Dr. Glauber Tiago Giachetta · Advogado

Resumo: A aprovação da PEC da redução da jornada para 40 horas semanais pelo Senado impõe uma reestruturação imediata na gestão de pessoal dos condomínios. A necessidade de cobertura de postos de portaria 24h demandará a contratação de folguistas ou a repactuação de contratos terceirizados, estimando-se um aumento direto no custo de mão de obra e a necessidade de reajuste das previsões orçament...

O Fim da Escala 6 x 1 e os Impactos Estruturais nos Condomínios: Reorganização Operacional e Reajuste de Custos

# O Fim da Escala 6 x 1 e os Impactos Estruturais nos Condomínios: Reorganização Operacional e Reajuste de Custos

A aprovação definitiva da PEC pelo Plenário do Senado — que extingue a escala 6 x 1 e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial — marca uma virada histórica nas relações de trabalho no Brasil. Se, sob a perspectiva social, a medida traz ganhos expressivos em qualidade de vida e descanso para os trabalhadores, no ecossistema condominial o cenário exige planejamento financeiro imediato e reestruturação de escalas de portaria, zeladoria e limpeza.

Nos condomínios residenciais e comerciais, onde a folha de pagamento e seus encargos representam entre 55% e 70% da arrecadação mensal, a transição para a escala 5x2 (ou jornadas reduzidas) alterará substancialmente a composição das despesas ordinárias.

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1. O Desenho da Transição Legislativa

A mudança constitucional estabelece uma regra de transição gradual a partir da promulgação pelo Congresso Nacional:

  • Primeira Etapa (60 dias após a promulgação): A jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, exigindo a introdução do segundo dia de descanso (escala 5x2 ou adaptação de turnos) sem qualquer corte na remuneração do empregado.
  • Segunda Etapa (14 meses após a promulgação): A jornada atinge o patamar final de 40 horas semanais.
  • Esta janela de adaptação é o período hábil para que gestores condominiais e administradoras recalculem o quadro de pessoal antes do surgimento de passivos trabalhistas voluntários.

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    2. O Impacto Financeiro e Operacional nas Portarias 24 Horas

    Operações condominiais contínuas (que exigem cobertura ininterrupta 24 horas por dia, 7 dias por semana) utilizavam massivamente a escala 6x1 ou escalas de revezamento combinadas para portaria e vigilância.

    Com a queda de 4 horas semanais por funcionário (e a obrigatoriedade de duas folgas semanais), surgem dois caminhos operacionais imediatos:

    A. Cobertura via Horas Extras (Custo Elevado)

    Tentar cobrir a janela residual de horas de folga utilizando a mesma equipe atual por meio de horas extras com adicional de 50% trará um aumento vertiginoso na folha de pagamento. Além do custo financeiro, a prática esbarra em limites legais da CLT sobre a prorrogação de jornada e gera fadiga operacional.

    B. Contratação de "Folguistas" ou Profissionais Adicionais

    Estudos das principais associações de administradoras (como AABIC e Abadi) apontam que, para cobrir os postos de 24 horas mantendo a operação direta, os condomínios precisarão contratar, em média, 1,5 profissional a mais por edifício. Essa expansão da folha se reflete diretamente na necessidade de reajuste da cota condominial ordinária.

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    3. Funcionários Próprios vs. Empresas Terceirizadas

    O reflexo da PEC não se restringe aos condomínios com folha de pagamento própria:

  • Equipe Própria: A alteração exige adequação imediata dos contratos de trabalho individuais, readequação de quadros de horários registrados no eSocial/relógio de ponto e revisão do regulamento interno de turnos.
  • Contratos Terceirizados: As empresas prestadoras de serviços de portaria, controle de acesso e limpeza repassarão o custo das novas contratações para as planilhas de custos dos contratos. Os condomínios enfrentarão pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de prestação de serviços. O síndico precisará auditar se os reajustes pleiteados pelas terceirizadas refletem com exatidão a variação real de custos ou se há abusividade na repactuação.
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    4. Diretrizes de Gestão e Adequação Preventiva

    Para afastar a inadimplência e manter a saúde financeira do condomínio durante a fase de transição, a gestão deve adotar medidas estruturadas:

    1. Revisão da Previsão Orçamentária: Convocação de Assembleia Geral Ordinária ou Extraordinária para revisar a previsão orçamentária do exercício, adequando a arrecadação ao novo custo da folha ou do contrato de terceirização.

    2. Auditoria de Postos e Cargas Horárias: Avaliar a real necessidade de manutenção de postos presenciais em determinados horários ou dias de menor fluxo (como domingos e feriados), ajustando as rotinas operacionais da zeladoria e da limpeza.

    3. Aceleração da Adoção de Tecnologias: O aumento do custo da mão de obra presencial acelerará a migração de condomínios para soluções de portaria remota, portaria híbrida ou armários inteligentes (*lockers*), reduzindo a dependência de escalas contínuas de alto custo.

    4. Adequação dos Acordos e Convenções Coletivas: Acompanhar de perto as negociações entre os sindicatos patronais (Sindicond) e dos trabalhadores (Sindifícios) para aplicação de regras específicas de escala autorizadas em convenção coletiva.

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    Resumo Executivo

    Título: Impactos da Fim da Escala 6x1 nos Condomínios e na Cota Condominial

    Resumo: A aprovação da PEC da redução da jornada para 40 horas semanais pelo Senado impõe uma reestruturação imediata na gestão de pessoal dos condomínios. A necessidade de cobertura de postos de portaria 24h demandará a contratação de folguistas ou a repactuação de contratos terceirizados, estimando-se um aumento direto no custo de mão de obra e a necessidade de reajuste das previsões orçamentárias condominiais.